Frustração : por que ela deve fazer parte da vida do seu filho

Postado em 26/12/2018

Frustração :  por que ela deve fazer parte da vida do seu filho

Por amor, você pode querer sempre atender aos desejos do seu filho. Mas é importante que ele entenda: a vida trará decepções. E estará tudo bem

Quantas vezes você se desdobrou para atender aos desejos do seu filho? Até naquele dia em que chegou em casa com enxaqueca - depois de um longo dia de trabalho - querendo descansar, sentou ao lado dele para brincar um pouco, depois que ele teve uma crise de birra porque estava esperando por você há horas para jogar um jogo novo. Sua intenção é das melhores, claro!

Mas lembre-se de que, ao tentar não desapontar seu filho, você está privando-o de uma experiência importante: a frustração. Nós, adultos, sabemos que nem todas as nossas vontades serão atendidas – aquela viagem paradisíaca, o sapato da vitrine, as férias, o melhor carro e o emprego dos sonhos. “As crianças também precisam entender que, ao longo da vida, é normal se decepcionar. É importante receber pequenas doses de frustração desde a infância”, explica Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP).

 

Fique tranquilo, seu filho não vai sofrer com isso. É só saber separar o que é necessidade do que é desejo. Negar o brinquedo que ele quer ganhar antes do aniversário, por exemplo, não vai prejudicar seu desenvolvimento. Aprender a esperar é importante: tenha certeza de que seu “não” vai propiciar mais benefícios do que perdas.

Até os 2 anos, ainda não conseguimos descobrir se o choro é de manha, de cólica ou de fome. Mas, depois disso, as crianças precisam entender que não podem ter tudo o que querem de imediato. Pense na hora do almoço de domingo: a família espera que todos se sirvam para poder começar a comer. Não é porque seu filho é menor que poderá saborear o prato antes de todos. Explique a ele a situação e peça para que aguarde um pouco.

Como administrar a situação?

É importante saber dosar. Sua casa tem só um televisor? De vez em quando, a criança pode assistir ao desenho animado à noite. Mas os pais também têm vontades! Podem querer ver o telejornal – e os filhos vão entender que, na vida, é normal ter de ceder. Enquanto vocês jogam videogame, não vale deixar as crianças ganharem sempre. “Atender ao desejo delas é gostoso. Mas nem sempre podemos satisfazê-los”, diz a psicóloga.

Se o seu filho estiver acostumado a ter todas as vontades concretizadas, é possível que comece a chorar quando ouvir o “não”. Sabemos como é dolorido ver o sofrimento de quem amamos. Só que, nesse momento, o mais indicado é deixar que a criança continue chorando. Dê carinho, abrace, mas não mude de ideia: ela precisa entender que a frustração é normal. Quando se acalmar, estará pronta para escutar sua explicação.

Pode ser que você tente evitar a decepção por sentir-se culpado. Trabalha muito, por exemplo, e quer proporcionar só alegrias para seu filho, de modo a compensar sua ausência. Ou então está em crise - pode ser no casamento, na saúde, nas finanças – e não tem energia sobrando para enfrentar a birra de uma criança decepcionada. Mesmo assim, tente não ceder. Será melhor para ela.

Futuro

Quando crescer e entrar em contato com o mundo extrafamiliar, seu filho vai encontrar um ambiente em que as vontades dele não serão sempre atendidos. Na escola, por exemplo, os amigos podem ficar chateados com uma criança que não gosta de dividir os brinquedos ou que não sabe perder nos jogos. Se você notar que seu filho não é escolhido para os times de futebol da turma ou nunca é convidado para as festas de aniversário, fique atento. Converse com o professor e investigue como é o comportamento da criança fora de casa.

Ao deixar que seu filho se frustre algumas vezes, sempre com seu afeto e apoio, ele será um adulto mais compreensivo. Na adolescência, entenderá que, se não ser aprovado no vestibular, deve tentar novamente no ano seguinte. Ou que um amor não-correspondido dói – mas é normal, faz parte da vida e não é motivo de desespero. Por outro lado, a criança que é criada em um lar sem frustrações não vai querer sair do ninho. “Isso compromete a convivência e a interação da pessoa. Ela precisa ser uma cidadã”, explica Calegari.

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